Caneta em
minhas mãos, papel em minha frente, e pouco a pouco minhas lágrimas o mancham,
transformadas em palavras.
Cada
sorriso que não me invadiu os lábios, cada dor que me fez sobrevivente, cada
aventura que não vivi, se eternizam ali, me prendendo por instantes até o ponto
em que o mundo real solicita minha atenção débil e minha presença estranha,
apática e melancólica.
Escrevo,
pois minha vida é um porre, as pessoas são um porre, o mundo é um porre, e no
papel, tenho total controle da situação: vivo os momentos que quero viver, as
pessoas são do jeito certo de ser, e resolvo os problemas da melhor forma. Se
erro, concerto. E no fim, sempre sorrio pela voz de uma das minhas várias
personalidades.
Escrever é
uma droga que está, fortemente ligada à outra quase tão potente – ler : você sai
da sua realidade triste e insípida, torna-se dependente, e a abstinência é uma
das mais terríveis.
Bem vindo
ao mundo real.
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